segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Anticristo (Antichrist, Alemanha/Dinamarca/França/ Itália/Suécia, 2009)

 antichrist 

Elenco: Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg

Direção: Lars Von Trier

Duração: 104 (intermináveis) minutos

Quando ouvi falar deste novo projeto de Lars Von Trier, logo pensei: este filme vai ser uma droga. Assisti. Adivinha o que eu achei? Uma…droga! Mas vamos com calma.

Muitos julgam Lars como um embuste da indústria cinematográfica, outros o colocam em um pedestal com uma redoma de vidro e o idolatram. Eu não diria nem uma coisa, nem outra. Apenas que ele é um diretor que sobrevive da polêmica que ele adora causar.

Discordo totalmente do gênero terror a que o filme foi classificado. De terror não tem nada, não dá sustos nem mata de medo a platéia. Porém, trata de “horrores”, de até onde os seres humanos conseguem lidar com a dor. Em termos de gênero. fica mais para um drama psicológico.

Anticristo envolve um casal atordoado pela perda do filhinho que caiu de uma janela enquanto eles curtiam um momento íntimo. A cena inicial, nomeada prólogo, mostra cenas muito bonitas esteticamente falando, em preto e branco e câmera lenta e uma música muito bonita (Lascia ch’io Pianga, de Händel). Lars, na onda de Ken Park e 9 Songs, apela para o sexo explícito para mostrar que é polêmico (quanta criatividade dele…). O garotinho, antes de morrer estatelado no chão, flagra o casal transando. Isso pode explicar a relação sexo-morte que permeia o psicológico da protagonista. O casal vai para uma cabana numa floresta chamada Éden (dããã). Nesta cabana, a esposa já havia estado com o filho para terminar sua dissertação de Mestrado sobre o tratamento dado às mulheres pelos homens ao longo da história. Lá acabam passando por momentos de muito sexo (lógico), DR (Discussão de Relacionamento), conflitos psicológicos, sessões de psicanálise e experiências extremamente violentas e sádicas.

O nível de detalhamento das cenas violentas (há uma cena de mutilação, perfuração de membros e de ejaculação de sangue) é extremamente chocante para alguns estômagos sensíveis. Se a sua namorada odeia esse tipo de coisa, libere o cartão de crédito pra ela gastar no shopping enquanto você assiste ou não reclame dods arranhões em seu braço após a sessão.

O filme acaba se arrastando (em capítulos) e fica extremamente tedioso pois só aparecem os dois atores, em diálogos profundos sobre o bem e o mal, delírios e traumas.

Bem ou mal, o filme rendeu a Palma de Ouro, no festival de Cannes, à atriz Charlotte Gainsbourg. Lars disse, em entrevista, que passou por momentos de pura depressão e que este filme foi o que o fez exorcizar seus demônios. Uau! Então, saia deste rolo em nome de Jesus! Aliás, observando por trás das lentes, o anticristo do título parece ter três letras iniciais: LVT.

Para saber mais: Site oficial: http://www.antichristthemovie.com/

Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds, EUA/AL, 2009)

ingloriousbastards_3

Elenco: Brad Pitt, Eli Roth, BJ Novak, Mike Myers, Michael Fassbender, Diane Kruger, Til Schweiger, Julie Dreyfus.

Direção: Quentin Tarantino

Duração: 162 min.

Sinceramente, achei que Quentin Tarantino não conseguiria fazer nada melhor depois do fiasco de público que foi Kill Bill. Resolvi assistir me desprendendo de qualquer resquício de desprezo por seu trabalho. Como produtor, Tarantino até que escolhe algumas coisas engraçadas (Planeta Terror) e outras que beiram o sadismo total (O Albergue I e II, ambos dirigidos por Eli Roth – que também atua - e muito bem - em Bastardos). Enfim, acaba sendo um bom filme, acima da média eu diria. Um elenco muito bom (Brad Pitt na ponta do elenco e outros citados acima) e uma arrecadação boa na estréia nos EUA (US$ 38 mi). Durante a segunda grande Guerra Mundial, na França ocupada pelos nazistas, um grupo denominado “The Bastards”, compostos apenas por soldados americanos Judeus, aprontam várias para abalar as estruturas da alta cúpula nazista, arrancando os couros cabeludos de todos os nazistas pegos em emboscadas. Uma trama bem construída mas daquela velha forma Tarantiana de ser: conta em capítulos e em algumas partes, o tempo retrocede para contar alguma história. Quem viu Pulp Fiction, sabe o que eu quero dizer. Parece que esta é a única forma que Tarantino sabe dirigir, algo como um formato pré-concebido de se fazer filmes.

No geral, é um bom filme, com quase duas horas e meia de projeção, alguns dos diálogos são arrastados, lentos mas com um propósito em todas elas, com alguns desfechos interessantes e câmeras fixas. Muita ironia, algumas pitadas de humor e uma fotografia bem interessante.

O filme tem estréia marcada aqui no Brasil em 23/10 mas já vazou na internet, em arquivo de filmagem direta da tela.

Quem gosta de Tarantino, não pode perder.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

The Crypt (A Cripta) (EUA, 2009)

the crypt

· Diretor: Craig McMahon

· Elenco: Michael Ranallo, Sarah Oh, Abra May, Cristen Irene e outros.

· Duração: 106 minutos

Estreou nos cinemas dos EUA em 25/6/09

Imagine você como a coisa está feia para roteiros de filmes de terror. Eu sou um dos poucos que acreditam que para um filme ser classificado como “Terror B”, tem que ser deveras criativo. Infelizmente não é o caso deste filme. A sensação é: por que eu perdi tempo vendo isso?

Enfim, um grupo de seis jovens delinquentes (um ex-detento e sua namorada, duas ladras de automóveis e outros delitos) se juntam para roubarem jóias de pessoas enterradas na época da grande depressão nos Estados Unidos. É claro que os espíritos dos mortos não deixarão isso barato. Eles estão lá, guardando o valioso tesouro. O lugar é claustrofobicamente chato, muitos labirintos e água brotando do solo. E lá eles terão que lutarem pela vida e curtirem a grana com a venda dos pertences dos presuntos. Maquiagem de segunda, trilha sonora ineficiente, muitas perguntas repetidas (o que mais se ouve no filme é “você está bem?”) e mortes que fariam Dragon Ball Z ou Naruto ganharem o título de violentos de tão fracas que são.

Para piorar tudo, o diretor percebeu que a película estava curta e resolveu enrolar no final, o que torna o filme ainda mais arrastado. E não adianta perguntar se eu estou bem...

Em suma, suma! Eu fiz a minha parte.